Um pôr -do-sol olhando de minha varanda!

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Olá gestores e educadores,

O Jornal Virtual desta semana traz o artigo da professora Zélia Nolasco, doutora em Letras e docente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), que aborda as dificuldades vividas pelos professores da rede pública.

Boa leitura e Feliz Páscoa!


A difícil e triste realidade das escolas públicas de Dourados
Todos sabem que para compreender melhor um problema o ideal é que se coloquem no lugar de quem está vivenciando-o. Ou não, até porque muitos dizem que estando de fora enxerga-se melhor a situação. Mas, tudo bem. Coloquem-se no lugar de uma criança ou adolescente, mais especificamente, um aluno. Acorda às seis horas, após brigar com o despertador e fingir que não ouve os gritos da mãe. Corre para o banheiro, faz sua higiene e às pressas toma o café. Isso quando dá tempo, porque muitas vezes você fica vendo televisão ou no computador até altas horas e mal dá para pegar a mochila e partir. No caminho, lembra-se que não fez a tarefa que era para ser entregue no início da aula. Depois de toda essa maratona, você, aluno, chega ao seu local de trabalho, isto é, à escola e precisa encarar a difícil e triste realidade escolar.
     Refiro-me ao trabalho porque estudar também é um trabalho. Embora, muitos vão para a escola para brincar, namorar, ficar conversando, desenhando, alguns falam também ao celular e outros ainda dormem na sala de aula. Não quero generalizar, mas um caso ou outro acontece sempre. Muitos problemas persistem em função de que os alunos ainda não se aperceberam de que estudar requer seriedade, comprometimento. Estudar não é tarefa fácil, pois exige de quem o faz uma postura crítica, sistemática. A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo, da realidade. Exige também uma disciplina intelectual que não se ganha do dia para a noite. Sem falar que requer disciplina sob todas as formas. Para isso, além de ser necessária a conscientização por parte dos alunos, é necessário o estímulo do professor. É fundamental que os alunos sintam-se importantes no processo ensino-aprendizagem.
     Para começar, é recomendável que o professor saiba o nome de seus alunos. Outro fator importantíssimo é a estrutura física do espaço no qual se estuda. E, aqui, refiro-me ao espaço da escola. Principalmente, o da escola pública de nossa cidade. Quantos conhecem uma escola pública? Quantas escolas públicas existem em Dourados? Já tiveram essa preocupação? Acredito que a grande maioria, não. Salvo raras exceções, as nossas escolas públicas mais parecem um presídio. Dá medo. E, o pior, essa realidade estende-se pelo Brasil afora.
     A estrutura física não condiz com o ambiente necessário ao bem-estar dos envolvidos no processo ensino-apredizagem, a começar pelo calor insuportável que são obrigados a aguentar. Imaginem-se sentados quatro horas por dia naquelas carteiras duras sem o mínimo conforto. Esse é um ambiente propício e estimulante ao raciocínio crítico? À formação intelectual do aprendiz? E as bibliotecas? Estão adequadas em relação ao espaço físico e quanto ao acervo literário existente? Existe uma bibliotecária capacitada? Na maioria das vezes, não. Sem falar na iluminação que é quase inexistente. Os fios ficam à mostra, lâmpadas queimadas que entram ano e sai ano continuam do mesmo jeito. Banheiros destruídos, bebedouros estragados, etc.
     Por isso, acredito que a solução para o caos na educação pública está no Projeto de Lei do senador Cristovam Buarque que obriga os políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Aliás, deixo a sugestão aos nossos vereadores para que aprovem um projeto desses aqui. Comprometam-se com algo sério, urgente e necessário ao desenvolvimento do município. Digo mais, quem assim o fizer estará com a vitória nas urnas, garantida. Alguém duvida?
     Texto de Zélia Nolasco, doutora em Letras, professora dos cursos de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
E-

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