Um pôr -do-sol olhando de minha varanda!

Um  pôr -do-sol olhando de minha varanda!

terça-feira, 22 de março de 2011

Senhor, ajuda-me a perdoar
 
Senhor, eu gostaria tanto de poder perdoar. Disponho-me a isso. Oro e
tenho a impressão de que lavei meu coração de toda mágoa.
 
Contudo, basta que eu reveja quem me agrediu, caluniou, traiu e todo
o sentimento retorna.
 
Isso está me fazendo muito mal, Senhor. Sinto um peso dentro de mim,
um mal-estar e tenho a impressão de que perdi um tanto da capacidade
de amar.
 
Em função do que padeci, tornei-me desconfiado. Quando um amigo me
abraça, não me entrego em totalidade. Fico pensando se ele está
sendo sincero.
 
Se não estará, como outros, demonstrando uma afeição que não lhe
habita a alma, somente por conveniência. Pior ainda, fico cogitando
quando esse amigo me oferecerá o fruto amargo do abandono.
 
Isso é muito ruim, Senhor, eu sei. Contudo, tornei-me assim, depois
de tantas ingratidões recebidas, em tantos afastamentos constatados,
em tantas evasões de pessoas a quem entreguei o meu coração.
 
Recorro às páginas do Evangelho e as leio, entre a emoção e o
desassossego. Pesquiso as vidas dos grandes seguidores da Tua
mensagem e me indago:
 
Por que eles conseguiram perdoar? O que me falta para isso?
 
Na tela da memória, evoco a imagem do primeiro mártir do
Cristianismo, Estêvão, apedrejado por amor à verdade que
propagava.
 
Ainda agonizante, ao lado da irmã, que descobre noiva do seu
verdugo, tem palavras de perdão. Não são palavras de quem, por
estar morrendo, resolve doar o perdão.
 
São palavras de quem se mostra agradecido por reencontrar a irmã
querida, depois de tantos anos de separação que lhes fora imposta.
 
São palavras de quem está feliz e poderá morrer tranquilo, não
somente por ter sido fiel a Jesus até o fim, mas por saber que sua
irmã estará bem amparada por aquele mesmo que a ele tirou a vida.
 
Cristo os abençoe... Não tenho no teu noivo um inimigo, tenho um
irmão...
 
Saulo deve ser bom e generoso. Defendeu Moisés até ao fim... Quando
conhecer a Jesus, servi-lO-á com o mesmo fervor...
 
Sê para ele a companheira amorosa e fiel...
 
Perdão incondicional. Ele poderia pensar em que poderia gozar da
felicidade de tornar a conviver com a irmã, depois de tantos anos.
 
Voltar a estarem juntos, como dantes da tragédia que os separara.
Mas, não.
 
Suas palavras não são de reprovação a quem o condenara ao
apedrejamento. Nele somente há perdão.
 
Por tudo isso, Senhor, eu Te peço: Ajuda-me a perdoar. Ensina-me a
perdoar. Promove em mim a mudança para melhor.
 
Não permitas que eu me perca pelas ruelas sombrias da mágoa, da
tristeza e do desencanto.
 
Eu desejo voltar a acreditar nas pessoas, a crer na amizade sincera,
na doação sem jaça.
 
Recordando o Teu exemplo extraordinário na cruz, preocupando-Te com
aqueles que Te haviam infligido tanto sofrimento e morte, eu Te
peço: Ajuda-me.
 
Tenho certeza de que, quando o perdão puder ser a tônica dos meus
atos, eu voltarei a sorrir, a ter fé, a viver intensamente.
 
Ajuda-me, pois, Senhor Jesus, a perdoar. Porque, não somente desejo
ser feliz, mas igualmente almejo ser, para os que comigo convivem,
motivo de contentamento e de alegria.
 
Redação do Momento Espírita, com frases atribuídas a Estêvão,
extraídas do cap. 8, pt. I, do livro Paulo e Estêvão, pelo
Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed.
Feb.
 
Em 21.03.2011.
 
 
 
 
 
 

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